APARÊNCIAS

          Sempre piso na mesma poça: quando não devo querer, quero, e me atrevo a verbalizar, incontido que sou. O pior é que sofro com o gélido resultado das coisas. Quando se espera ânimo, alegria, riso, euforia, um frio e banal prato me é servido como que por obrigação. Não foi assim que eu imaginei a cena. Não foi assim que me indicaram que seria. Mas é a té bom que seja tudo diferente. Mesmo sabendo das surpresas que existem do nascimento à morte, essas mais duras revelam algo que estão para além da vida cotidiana, ou algo que não se pode ver, medir ou tocar. A alma se revela. E se vê a lama.

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